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Vida e obra de Tarcila do Amaral.


Vida e obra de Tarcila do Amaral.







Tarsila do Amaral: uma das principais representantes do modernismo brasileiro






INFÂNCIA E APRENDIZADO
Tarsila do Amaral nasceu em 1 de setembro de 1886, no Município de Capivari, interior do Estado de São Paulo. Filha do fazendeiro José Estanislau do Amaral e de Lydia Dias de Aguiar do Amaral, passou a infância nas fazendas de seu pai. Estudou em São Paulo, no Colégio Sion e depois em Barcelona, na Espanha, onde fez seu primeiro quadro, 'Sagrado Coração de Jesus', 1904. Quando voltou, casou-se com André Teixeira Pinto, com quem teve a única filha, Dulce.
Separaram-se alguns anos depois e então iniciou seus estudos em arte. Começou com escultura, com Zadig, passando a ter aulas de desenho e pintura no ateliê de Pedro Alexandrino em 1918, onde conheceu Anita Malfatti. Em 1920, foi estudar em Paris, na Académie Julien e com Émile Renard. Ficou lá até junho de 1922 e soube da Semana de Arte Moderna (que aconteceu em fevereiro) através das cartas da amiga Anita Malfatti. Quando voltou ao Brasil, Anita a introduziu no grupo modernista e Tarsila começou a namorar o escritor Oswald de Andrade. Formaram o grupo dos cinco: Tarsila, Anita, Oswald, o também escritor Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Agitaram culturalmente São Paulo com reuniões, festas, conferências. Tarsila disse que entrou em contato com a arte moderna em São Paulo, pois antes ela só havia feito estudos acadêmicos. Em dezembro de 22, ela voltou a Paris e Oswald foi encontrá-la.


1923
Neste ano, Tarsila encontrava-se em Paris acompanhada do seu namorado Oswald. Conheceram o poeta franco suíço Blaise Cendrars, que apresentou toda a intelectualidade parisiense para eles. Foi então que ela estudou com o mestre cubista Fernand Léger e pintou em seu ateliê, a tela 'A Negra'. Léger ficou entusiasmado e até chamou os outros alunos para ver o quadro. A figura da Negra tinha muita ligação com sua infância, pois essas negras eram filhas de escravos que tomavam conta das crianças e, algumas vezes, serviam até de amas de leite. Com esta tela, Tarsila entrou para a estória da arte moderna brasileira. A artista estudou também com Lhote e Gleizes, outros mestres cubistas. Cendrars também apresentou a Tarsila pintores como Picasso, escultores como Brancusi, músicos como Stravinsky e Eric Satie. E ficou amiga dos brasileiros que estavam lá, como o compositor Villa Lobos, o pintor Di Cavalcanti, e os mecenas Paulo Prado e Olívia Guedes Penteado.
Tarsila oferecia almoços bem brasileiros em seu ateliê, servindo feijoada e caipirinha. E era convidada para jantares na casa de personalidades da época, como o milionário Rolf de Maré. Além de linda, vestia-se com os melhores costureiros da época, como Poiret e Patou. Em uma homenagem a Santos Dumont, usou uma capa vermelha que foi eternizada por ela no auto-retrato 'Manteau Rouge', de 1923.


PAU BRASIL
Em 1924, Blaise Cendrars veio ao Brasil e um grupo de modernistas passou com ele o Carnaval no Rio de Janeiro e a Semana Santa nas cidades históricas de Minas Gerais. No grupo estavam além de Tarsila, Oswald, Dona Olívia Guedes Penteado, Mário de Andrade, dentre outros. Tarsila disse que foi em Minas que ela viu as cores que gostava desde sua infância, mas que seus mestres diziam que eram caipiras e ela não devia usar em seus quadros. 'Encontei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Mas depois vinguei-me da opressão, passando-as para as minhas telas: o azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, ...' E essas cores tornaram-se a marca da sua obra, assim como a temática brasileira, com as paisagens rurais e urbanas do nosso país, além da nossa fauna, flora e folclore. Ela dizia que queria ser a pintora do Brasil. E esta fase da sua obra é chamada de Pau Brasil, e temos quadros maravilhosos como 'Carnaval em Madureira', 'Morro da Favela', 'EFCB', 'O Mamoeiro', 'São Paulo', 'O Pescador', dentre outros.
Em 1926, Tarsila fez sua primeira Exposição individual em Paris, com uma crítica bem favorável. Neste mesmo ano, ela casou-se com Oswald (o pai de Tarsila conseguiu anular em 1925 o primeiro casamento da filha para que ela pudesse se casar com Oswald). Washington Luís, o Presidente do Brasil na época e Júlio Prestes, o Governador de São Paulo na época, foram os padrinhos deles.


ANTROPOFAGIA

Em janeiro de 1928, Tarsila queria dar um presente de aniversário especial ao seu marido, Oswald de Andrade. Pintou o 'Abaporu'. Quando Oswald viu, ficou impressionado e disse que era o melhor quadro que Tarsila já havia feito. Chamou o amigo e escritor Raul Bopp, que também achou o quadro maravilhoso. Eles acharam que parecia uma figura indígena, antropófaga, e Tarsila lembrou-se do dicionário Tupi Guarani de seu pai. Batizou-se o quadro de Abaporu, que significa homem que come carne humana, o antropófago. E Oswald escreveu o Manifesto Antropófago e fundaram o Movimento Antropofágico. A figura do Abaporu simbolizou o Movimento que queria deglutir, engolir, a cultura européia, que era a cultura vigente na época, e transformá-la em algo bem brasileiro.
Outros quadros desta fase Antropofágica são: 'Sol Poente', 'A Lua', 'Cartão Postal', 'O Lago', 'Antropofagia', etc. Nesta fase ela usou bichos e paisagens imaginárias, além das cores fortes.
A artista contou que o Abaporu era uma imagem do seu inconsciente, e tinha a ver com as estórias de monstros que comiam gente que as negras contavam para ela em sua infância. Em 1929 Tarsila fez sua primeira Exposição Individual no Brasil, e a crítica dividiu-se, pois muitas pessoas ainda não entendiam sua arte.
Ainda neste ano de 1929, teve a crise da bolsa de Nova Iorque e a crise do café no Brasil e assim a realidade de Tarsila mudou. Seu pai perdeu muito dinheiro, teve as fazendas hipotecadas e ela teve que trabalhar. Separou-se de Oswald.


SOCIAL E NEO PAU BRASIL
Em 1931, já com um novo namorado, o médico comunista Osório Cesar, Tarsila expôs em Moscou. Ela sensibilizou-se com a causa operária e foi presa por participar de reuniões no Partido Comunista Brasileiro com o namorado. Depois deste episódio, nunca mais se envolveu com política. Em 1933 pintou a tela 'Operários'. Desta fase Social, temos também a tela 'Segunda Classe'. A temática triste da fase social não fazia parte de sua personalidade e durou pouco em sua obra. Ela acabou com o namoro com Osório, e em meados dos anos 30, Tarsila uniu-se com o escritor Luís Martins, mais de vinte anos mais novo que ela. Ela trabalhou como colunista nos Diários Associados por muitos anos, do seu amigo Assis Chateaubriand. Em 1950, ela voltou com a temática do Pau Brasil e pintou quadros como 'Fazenda', 'Paisagem ou Aldeia' e 'Batizado de Macunaíma'. Em 1949, sua única neta Beatriz morreu afogada, tentando salvar uma amiga em um lago em Petrópolis.
Tarsila participou da I Bienal de São Paulo em 1951, teve sala especial na VII Bienal de São Paulo, e participou da Bienal de Veneza em 1964. Em 1969, a mestra em história da arte e curadora Aracy Amaral realizou a Exposição, 'Tarsila 50 anos de pintura'. Sua filha faleceu antes dela, em 1966.
Tarsila do Amaral faleceu na cidade de São Paulo em 17 de janeiro de 1973. A grandiosidade e importância de seu conjunto artístico a tornou uma das grandes figuras artísticas brasileiras de todos os tempos.

Características de suas obras

- Uso de cores vivas
- Influência do cubismo (uso de formas geométricas)
- Abordagem de temas sociais, cotidianos e paisagens do Brasil
- Estética fora do padrão (influência do surrealismo na fase antropofágica)

Principais obras:

- Auto-retrato (1923)
- Retrato de Oswald de Andrade (1923)
- Estudo (Nú) (1923)
- São Paulo – Gazo (1924)
- Antropofagia (1929)
- A Cuca (1924)
- Pátio com Coração de Jesus (1921)
- Chapéu Azul (1922)
- Auto-retrato (1924)
- O Pescador (1925)
- Manteau Rouge (1923)
- A Negra (1923)
- São Paulo (1924)
- Morro da Favela (1924)
- A Família (1925)
- Vendedor de Frutas (1925)
- Paisagem com Touro (1925)
- Religião Brasileira (1927)
- O Lago (1928)
- Coração de Jesus (1926)
- O Ovo ou Urutu (1928)
- A Lua (1928)
- Abaporu (1928)
- Cartão Postal (1928)
- Operários (1933)







Fonte: http://www.tarsiladoamaral.com.br/biografia_resumida.html

Vida e obra de Pierre-Auguste Renoir.

Biografia - Auguste Renoir (1841-1919)
Renoir e sua "joie de vivre"


Pierre-Auguste Renoir costuma ser chamado de "o pintor da vida". Ainda que nunca tivéssemos visto um quadro seu sequer, essa bela maneira de se referir a ele seria um forte chamariz para a obra deste homem, tido como uma pessoa alegre e carismática em vida, sempre rodeada de amigos.

Renoir nasceu na cidade de Limoges em 1841, filho de costureiros humildes. Aos quatro anos vai para Paris com a família, e lá passa uma infância feliz. Seu primeiro contato com as artes seria trabalhando como pintor de porcelanas em uma fábrica, atividade que o levou a decidir ser artista profissionalmente.

As aulas na Escola de Belas Artes e no estúdio de Charles Gleyre (onde conheceu Monet) eram intercaladas com "sessões" de pintura ao ar livre, geralmente nos parques e bosques próximos a Paris. Data daí o início das discussões a respeito de uma nova maneira de pintar, numa tentativa de captar nas telas momentos tão passageiros quanto a luz do sol e as sombras: juntamente de Monet, Sisley, Bazille, Degas e Manet, formava-se o grupo que inventaria o Impressionismo.

No caso de Renoir, que até gostava de pintar paisagens mas tinha clara preferência por retratar pessoas (fossem retratos de conhecidos ou de cidadãos anônimos), o mundo era composto por ruas reluzentes, muita luz e vida cotidiana. Estes eram os temas preferidos em sua obra.

O artista continuaria "integrando" o grupo dos impressionistas, mas nunca deixou de fazer os retratos que lhe davam sustento. Após viagens à Argélia (influenciado pela obra de Delacroix) e Itália, em 1881 (onde apreciou e se inspirou nos renascentistas, em especial Rafael), volta à França com novo fôlego e decide deixar um pouco de lado a maneira rápida, "inacabada" e impressionista de pintar para retratar personagens mais delineados e severos em quadros como "As Banhistas" (1884/87), com clara influência de mestres do Renascimento.

Algum tempo depois, porém, o artista voltaria ao seu estilo mais característico, mesclando conhecimentos clássicos a cores mais quentes, cenas do dia-a-dia e pinceladas mais livres.

Renoir foi casado com Aline Charigot, com quem teve 3 filhos. O segundo deles, Jean Renoir, viria a tornar-se um grande cineasta. Entre seus filmes destacam-se "A Grande Ilusão" (1937) e "A Regra do Jogo" (1939). Tendo vivido seus últimos em Cagnes, na Riviera Francesa, Renoir morreu em 1919, quatro anos depois de sua amada Aline. Mesmo sem conseguir andar ou segurar com firmeza o pincel, o artista continuou pintando até o fim da vida.

Curiosidades

  • Retrato apressado
    Durante sua viagem à Itália, no ano de 1882, Renoir visitou o compositor alemão Richard Wagner, na Sicília. Um amigo em comum, o juiz Lascoux, providenciou para que um retrato do famoso músico fosse feito e Renoir, que não apreciava o trabalho de Wagner, teve apenas 35 minutos para pintar a tela. Naturalmente, nenhum dos dois gostou do resultado, "semelhante a um pastor protestante", segundo o insatisfeito retratado.
  • Nome completo
    Os amigos Renoir, Monet, Sisley, Bazille, Degas e Manet formariam o grupo central do movimento impressionista, que à época da primeira exposição dos quadros feitos sob essa nova maneira de pintar se intitulava "Sociedade Anônima dos Artistas, Pintores, Escultores e Gravadores". Um nome um tanto longo, se comparado ao termo que os tornou famosos em todo o mundo: Impressionistas, simplesmente (ainda que tenha surgido a partir de uma crítica sarcástica ao quadro "Impressão, Sol Levante", de Monet).
  • Processo de criação
    Renoir pintou muitas naturezas-mortas durante a década de 1890. Afirmava que a criação desse tipo de pintura era relaxante: "Deixo meu cérebro descansar enquanto pinto flores". "Rosas-de-Musgo" (1880) e "Frutos do Midi" (1881) são belos exemplos dessa época. As esculturas, por outro lado, foram sua obsessão nos últimos anos de vida. Ainda que não mais conseguisse fazê-las sozinho, afirmava, com bom-humor: "Eu nunca acho que terminei um nu até sentir que posso beliscá-lo".
  • Primeiro amor
    Renoir só viria a se casar com Aline Charigot quando passava dos 40 anos. Antes disso, o mais famoso relacionamento do pintor foi com a também "modelo" Lise Tréhot. Ele tinha 20 anos quando a jovem, então com 16 anos. Morena, lânguida e de traços marcantes, Lise posou para diversas telas do então jovem artista (calcula-se que Renoir tenha retratado a amante mais de 20 vezes, entre 1865 e 1872). Lise acabou se casando com outro homem, jamais voltando a encontrar Renoir.
  • Renoir em São Paulo
    O Museu de Arte de São Paulo realizou uma grande mostra retrospectiva da carreira de Renoir, no ano de 2002. "Renoir - O Pintor da Vida" reuniu 140 obras do artista e de seus "amigos" impressionistas, atraindo um numeroso público ao museu. O Masp, por sinal, possui em seu acervo um dos mais conhecidos quadros de Auguste Renoir: "Rosa e Azul" (1881), onde vemos as duas pequenas irmãs, de mãos dadas, uma de rosa e outra de azul.

Contexto histórico
As impressões de um tempo remoto


Um fato ocorrido ainda na juventude de Renoir é bem marcante das mudanças que aconteciam em sua época: após cinco anos trabalhando como pintor de porcelanas em Paris, o jovem perdeu seu emprego devido à criação de um processo mecânico de estamparia em louça. Era a sociedade industrial que crescia, com suas máquinas e produção em massa.

Alguns anos depois, em 1870, Renoir foi convocado para a guerra franco-prussiana, mas faz de tudo para voltar a Paris, o que acontece no ano seguinte. Foram anos difíceis para os impressionistas: Monet fugira para a Inglaterra, e Bazille acabou morto em combate. Seria apenas em 1974 que os amigos voltariam a se reunir.

Renoir já foi considerado um "hedonista burguês" por retratar tantas cenas de pessoas se divertindo, comendo e bebendo. Ou mesmo por realizar tantos retratos de amigos e personalidades da dita "alta sociedade". Porém, como em toda crítica radical, é injusto caracterizá-lo dessa maneira. Renoir só conseguiu viver confortavelmente depois dos 40 anos, e era o tipo de artista que só trabalhava quando estava feliz (e talvez exatamente por isso não tenha enriquecido precocemente). Foi, também, um pintor que não teve medo de mudar seu estilo quando sentiu essa necessidade: durante alguns anos, após voltar das viagens à Argélia, Espanha e Itália, dedicou-se a temas mais clássicos e formalistas.

Sua habilidade em pintar a luz que passa por entre folhagens e atinge o solo e as pessoas em pequenos pontos de claridade e sombras era excepcional. A atmosfera alegre e descompromissada de trabalhos como "Le Moulin de la Galette", de 1876, também emocionam e, nostalgicamente, nos remetem a uma época que não existe mais. No fim da vida, Auguste realizou ainda diversas esculturas, geralmente de mulheres de formas voluptuosas. Mesmo não conseguindo usar as mãos habilmente devido à artrite e ao reumatismo, produziu diversas peças tendo dois ajudantes como seus "braços".

Sites relacionados
  • Jeu de Paume - Este museu, localizado em Paris, tem uma vasta coleção de quadros de Renoir.
  • Spanish Arts - Este portal traz muitas informações sobre artistas e movimentos estéticos. Em espanhol.
  • ArtCyclopedia - Links para museus ao redor do mundo que possuem obras de Renoir (entre eles o Masp).
  • Análises da obra "Rosa e Azul" (1881), de Renoir.
  • Olga’s Gallery - Aqui, é possível conferir as imagens de mais de 200 trabalhos de Renoir.

Principais obras
1. "Le Moulin de la Galette" (1876) - O clima amigável e descontraído nos faz ter vontade de "adentrar" o quadro.
2. "O Almoço dos Remadores" (1881) - Retrata um almoço de domingo à beira do rio Sena. Tipicamente francês.
3. "Rosa e Azul" (1881) - As duas pequenas "bonecas", loiras, de pele claríssima e vestidos encantadores, dão-se as mãos.
4. "As Banhistas" (1884-87) - Exemplo da mudança de estilo do pintor, depois de sua volta da Itália. Traços mais delineados e cores suaves.

Fonte:  http://mestres.folha.com.br/pintores/16/

Vida e obra de Wassily Kandinsky.



Wassily Kandinsky (1866-1944)  -  O arauto da arte abstrata


Wassily Kandinsky poderia ter sido apenas um obscuro professor de direito na velha Rússia czarista, se não houvesse decidido, certa manhã, conferir uma exposição de pintores impressionistas franceses em Moscou. A visão de um monte de feno, pintado por Monet, provocou nele um entusiasmo incomum.

Numa época em que os críticos mais tradicionais torciam o nariz e consideravam os quadros impressionistas meros borrões de tinta sobre a tela, Kandinsky ficou deslumbrado. Segundo ele próprio contaria mais tarde, foi ali que percebeu, pela primeira vez, que a obra de arte não precisava se resumir a imitar a natureza. Estava plantada a semente da arte abstrata, forma de expressão que teria em Kandinsky um pioneiro e um de seus mais ardorosos teóricos.

Nascido em Moscou, no ano de 1866, Kandinsky não abraçou o abstracionismo da noite para o dia. Foi necessário todo um processo de evolução pictórica, até alcançar gradativamente a completa abolição da figura em sua obra.

Ainda sob o efeito da exposição impressionista, decidiu recusar o cargo de assistente na faculdade de direito em uma universidade russa e, em 1896, aos 30 anos, mudou-se para Munique, na Alemanha, com o firme propósito de dedicar-se ao estudo da arte. Antes de partir, casou com uma prima, Anya Ticheyeva, que levou junto com ele.

Mas as aulas ministradas pelos professores na Alemanha, ainda presos ao realismo e ao academicismo, não o satisfizeram. Aproximou-se então de artistas mais jovens, como Paul Klee, e passou a desenvolver sua própria teoria estética, pregando a libertação da arte da reprodução subserviente da natureza.

Seus primeiros quadros europeus, é verdade, ainda mostravam nítidas influências impressionistas. Exibiam figuras humanas, objetos naturais e evocavam elementos da arte popular russa. Aos poucos, porém, os contornos se fizeram mais imprecisos, os rostos perderam definição e, cada vez mais, as formas tornaram-se apenas vagas referências de algo existente no mundo real. "Enquanto a arte não dispensar o objeto, ela será meramente descritiva", sentenciou Kandinsky.

Casado pela segunda vez, com uma artista alemã, Gabriele Muenter, Kandinsky decidiu voltar à Rússia em 1914. Três anos depois, em 1917, trocou Gabriele por uma jovem russa, Nina von Andreyewsky, com quem ficará até o fim da vida. Naquele mesmo ano, eclodiu a revolução socialista, liderada por Lênin. Respeitado pelos intelectuais revolucionários, o artista foi convidado a fazer parte do Comissariado para a Educação e a dar aulas em academias estatais, mantidas pelo novo regime.

Mas a pintura de Wassily Kandinsky era abertamente incompatível com o "realismo socialista", estilo imposto aos artistas russos após a Revolução. Classificado pelos ideólogos soviéticos como um representante da "arte burguesa e decadente", Kandinsky viu-se obrigado a deixar novamente o seu país natal, retornando em 1921 à Alemanha, onde assumiu o cargo de professor da Bauhaus, famosa e inovadora escola de arquitetura e artes aplicadas.

Em 1933, com a chegada de Hitler ao poder, a alemã Bauhaus foi fechada. Kandinsky, que já fora criticado e defenestrado pelos soviéticos, passou a ser rotulado pelos nazistas como um "cancro da bolchevização da arte". Não lhe restava outra alternativa a não ser providenciar uma nova e imediata transferência, agora para Paris.

Sete anos mais tarde, quando os nazistas invadiram a França, Wassily Kandinsky estava velho demais para empreender mais outra mudança. Septuagenário, cuidou de diminuir o ritmo de sua produção e passou a viver de forma discreta e reservada.

Kandinsky morreu em 1944, aos 78 anos. Passado o obscurantismo nazista, seu nome foi aclamado, na Alemanha e em toda a Europa, como o mestre que inaugurou o abstracionismo, uma das maiores revoluções de todos os tempos na história da arte.

Curiosidades
  • De cabeça para baixo
    Kandinsky costumava dizer que passou a compreender de forma mais decisiva o poder da arte abstrata quando, certa noite, ao entrar em seu ateliê, não conseguiu reconhecer um de seus próprios trabalhos, que estava de cabeça para baixo.
  • Coisa de louco
    As primeiras reações da crítica à obra abstracionista de Kandinsky foi de absoluta surpresa e rejeição. Muitos consideraram que aquele amontoado de linhas, cores e formas sem significado era obra de um doido varrido. Ou, na melhor das hipóteses, de alguém que manejara tintas e pincéis sob os efeitos de algum alucinógeno, como o haxixe.
  • Teoria e prática
    Kandinsky, além de artista, era também um teórico. Escreveu alguns livros para defender suas idéias a respeito do abstracionismo. Entre suas obras principais destacam-se "Do Espiritual na Arte", publicado em 1912, e "Ponto e Linha sobre o Plano", editado na forma de apostila pela Bauhaus.
  • Cidadão do mundo
    Kandinsky mudou de nacionalidade duas vezes. Inicialmente, após deixar a Rússia e fixar-se em Munique, solicitou cidadania alemã. Mais tarde, com a ascensão dos nazistas ao poder, refugiou-se em Paris e, mais uma vez, trocou oficialmente de nacionalidade, tornando-se cidadão francês.
  • Ao lado de Freud e Einstein
    O abstracionismo de Kandinsky representou uma ruptura tão radical em relação à arte figurativa tradicional que, hoje, muitos críticos e historiadores da cultura costumam colocá-lo em um honroso panteão de grandes pensadores e cientistas da história da humanidade: ele estaria, para a pintura, no mesmo grau de importância que Freud tem para a psicologia e Einstein para a física.


Contexto histórico
Em busca do traço puro

O abstracionismo, inaugurado por Kandinsky por volta de 1910, tem como pressuposto básico a realização de uma arte independente do mundo externo e da realidade visível, ou seja, uma obra composta apenas por elementos puros, como as formas, as linhas e as cores. Também chamado de "arte abstrata", este movimento se desenvolveu em várias vertentes, até passar a ser o traço predominante de toda a produção artística realizada ao longo do século 20.

Os abstracionistas radicalizaram uma tendência típica das principais vanguardas artísticas do final do século 19 e início do século 20. Desde a invenção da fotografia, o impressionismo havia buscado novas formas de representar o mundo, distanciando-se da mera reprodução "fiel" e "imutável" dos objetos. Os impressionistas procuravam captar as impressões visuais provocadas por estes mesmos objetos em determinado momento, impressões fugidias, que poderiam variar de acordo com a luz, por exemplo. Com a eliminação dos contornos, o impressionismo produziu pinturas em que a luminosidade – e não as pessoas ou as coisas – era o principal tema do quadro.

Os pós-impressionistas e expressionistas, por sua vez, libertaram a cor e a linha de suas funções meramente representativas, exagerando propositalmente as formas, para expressar a prevalência da emoção do artista sobre o mundo real. Os cubistas, a seu modo, também romperam com a idéia da arte como imitação da natureza, ao abandonar as noções tradicionais de perspectiva e volume, retratando os objetos de vários pontos de vista simultâneos, decompostos em figuras geométricas.

Mas, a todos esses e outros movimentos que procuravam um distanciamento e uma releitura do chamado "mundo objetivo", o abstracionismo contrapôs uma recusa radical a qualquer espécie de representação. Em outras palavras, não se tratava mais de ver os objetos do mundo com novos olhos, mas de criar um universo à parte, uma realidade autônoma, criada pelo próprio artista. Era isso o que Kandinsky queria dizer com uma de suas frases mais célebres: "Criar uma obra de arte é criar um mundo",

Sites relacionados
  • Kandinsky– Página em português sobre a vida e a obra do artista.
  • WebMuseum – Galeria virtual, com informações sobre Kandinsky e reproduções ampliáveis de alguns de seus principais trabalhos.
  • Museu Guggenheim– Página da instituição dedicada a Kandinsky. Contém dados biográficos e fotos comentadas de obras do artista.
  • ArtCyclopedia– Relação e localização das principais obras de Kandinsky, espalhadas em museus e galerias de todo o mundo.
  • Folha Online – Veja tudo o que já se publicou sobre Kandinsky na Folha Online

Principais obras

1. Parque de Achityrka (1901) – Obra ainda influenciada pelos impressionistas, antes da conversão definitiva do artista ao abstracionismo. 
2. Composições, Improvisações e Impressões – Série de quadros realizados entre 1910 e 1914, nos quais Kandinsky parte de formas difusas até chegar à abstração pura.



3. No Quadrado Negro (1923) – Trabalho representativo da fase em que, na década de 1920, Kandinsky passa a utilizar elementos geométricos.
4. Élan Tempéré (1944) – O último quadro pintado por Kandinsky, pouco antes de falecer.


Fonte:  http://mestres.folha.com.br/pintores/18/

Andrea del Verrocchio – Escultor e Pintor Italiano


Andrea di Francesco di Cione que era maiormente conhecido como Andrea del Verrocchio, nasceu em 1435 na cidade italiana de Florença. O artista atuou em sua carreira como pintor,escultor e ourives (arte de trabalhar com metais preciosos), foi um dos principais e mais conceituados pintores de sua época, teve como alunos Ghirlandaio, Leonardo da Vinci, Perugino,Sandro Botticelli, entre outros grandes artistas, e na escultura também teve grande prestígio, influencia até para Michelangelo.
Inicialmente, Verrocchio trabalhou como ourives na oficina do artista Giulio Verrocchi (de quem adquiriu o sobrenome). Andrea del Verrocchio pintou seus primeiros quadros no ano de 1460, quando trabalhava com o pintor Filippo Lippi.
Por volta do ano de 1474, Verrocchio pintou juntamente com Leonardo da Vinci, a pintura ‘O Batismo de Jesus’. Após isso, existe boatos de que desistiu da pintura por considerar Da Vinci melhor e mais genial pintor do que ele, passou então a se dedicar somente à escultura.
No ano de 1478, o artista Andrea del Verrocchio recebeu a encomenda feita pela República de Veneza, para que fizesse uma estátua equestre (cavaleiro no cavalo) de Bartolomeo Colleoni, fez em cera, porém não pode trabalhar na fundição da estátua em Veneza, pois veio a falecer antes da conclusão.
Veja abaixo algumas das principais obras, quadros, esculturas do artista Andrea del Verrocchio:



Cristo Crucificado - Andrea del Verrocchio

 Cristo e Tomé - Andrea del Verrocchio
Giuliano de Medici - Andrea del Verrocchio

Lorenzo de Medici - Andrea del Verrocchio

Madonna e Criança - Andrea del Verrocchio

O Batismo de Jesus - Andrea del Verrocchio & Da Vinci

Tobias e o Anjo - Andrea del Verrocchio

Johannes Vermeer – Pintor Holandês

Johannes Vermeer que também era conhecido por Vermeer de Delft e Johannes van der Meer, nasceu no ano de 1632 em uma cidade da Holanda chamada Delft, onde viveu toda sua vida e está sepultado lá, em uma igreja chamada de Igreja Velha.



Johannes teve sua atuação como pintor em uma época excelente para o país, período que foi conhecido como Idade de Ouro Holandesa, por volta do século XVII, e é considerado o segundo pintor mais famoso nesse tempo, estando atrás somente do pintor Rembrandt.
O que mais chamava a atenção dos admiradores nos quadros de Vermeer, eram suas cores transparentes, composições muito bem pensadas e o uso da luz de uma forma brilhante.
No ano de 1653 Johannes Vermeer entrou para a guilda (grupo) de pintores de Saint Lucas, onde nos anos de 1662 e 1669 foi nomeado como representante do grupo. Mesmo tendo um certo reconhecimento entre alguns pintores, Vermeer passou por um tempo muito difícil, principalmente na parte financeira, o que o obrigava a vender suas obras por baixíssimo valor.
Veja abaixo algumas das principais pinturas e quadros de Johannes Vermeer:

 A Alcoviteira - Johannes Vermeer
 A Ruela - Johannes Vermeer
 Cristo na Casa de Marta e Maria - Johannes Vermeer
 Garota com Brinco de Pérola - Johannes Vermeer (1665)
 Jovem Adormecida - Johannes Vermeer
 Leitora a Janela - Johannes Vermeer
Oficial e Moça Sorridente - Johannes Vermeer

João Batista da Costa – Pintor e Ilustrador

joao-batista-da-costa-pintor-e-ilustrador João Batista da Costa nasceu em 1865 na cidade de Itaguaí que fica localizada no estado do Rio de Janeiro, teve uma infância de muita pobreza e por esse motivo teve de ir para o Asilo de Meninos Desvalidos do Rio de Janeiro.



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Com seus 20 anos de idade, com o auxílio de Ambrósio Leitão da Cunha que na época era Barão de Mamoré João Batista da Costa começou a estudar Academia Imperial de Belas Artes também no Rio de Janeiro, e lá foi onde aperfeiçoou suas técnicas e passou a pintar lindos quadros.

Já em 1894, João Batista da Costa conseguiu ganhar o prêmio de viagem para a Europa com a pintura “Em repouso”. Dois anos depois o pintor morou em Paris e estudou na Academia Julian. No ano de 1898 o artista retornou para o Brasil e expôs suas obras de arte europeias na Casa Postal do Rio de Janeiro.

Abaixo estão alguns tópicos de acontecimento na vida artística de João Batista:

1900 – Recebeu a medalha de ouro de segunda classe na Exposição Geral de Belas Artes;

1904 – Recebeu a medalha de ouro de primeira classe com sua obra “Fim de Jornada”;

1905 – Se casou com Noêmi Gonçalves Cruz, sobrinha de um dos maiores nomes da medicina no Brasil, Osvaldo Cruz;

1906 – Trabalhou como professor na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro;

Veja abaixo alguns quadros e pinturas do brasileiro João Batista da Costa:
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Sapucaieiras - João Batista da Costa

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Rio Piabanha em Petrópolis - João Batista da Costa

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Paisagem - João Batista da Costa

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Fazenda de Brejinho - João Batista da Costa

Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Batista_da_CostaJoão

Montagem de pinturas clássicas com bombons e gomas de mascar


No universo internético, um leque de réplicas de obras artísticas estão disponíveis ao bel prazer dos usuários. O que diferencia uma releitura de outra é o modo inusitado de construir o mesmo. Assim, reconhecemos imediatamente a obra original no novo, mas o que nos surpreende é como o novo artista conseguiu dar a velha luz em original roupagem.

Foi assim que aconteceu com a artista californiana Kristen Cummings. Ela aceitou o desafio da empresa de doces Jelly Belly de reproduzir quadros renomados da história da arte. E ela topou! O resultado de tudo isso foram muito trabalho, esforço e minúcia. Kristen gastou cerca de 60 horas em cada quadro e utilizou mais de 12 mil balas por cada obra.
Só para se ter uma ideia macro com que material de doces foram feitas as ‘pinturas‘, veja abaixo a imagem das gomas de mascar Jelly Belly que estamos falando:

Pinturas de Quadros Famosos feitas com Bombons

A produção foi feita utilizando cola especial para grudar cada doce no quadro e uma camada de tinta acrílica após a colagem terminada para garantir rigidez à pintura. Confira alguns exemplares do magnífico trabalho de Kristen:
Os clássicos desenhos das moças pin ups ganharam uma versão mais marcante com traços de força muscular.






Quadros de arte feitos com comida

Os criativos publicitários fazem de tudo – logicamente – para chamar atenção dos clientes. Então, como mostrar aos consumidores a capacidade de um processador? Basta comprarar os alimentos processados a obra de arte. Simples, não?
Magimix, empresa francesa de eletromésticos, contratrou a agência de publicidade Young&Rubicam para desenvolver a campanha do novo processador da marca. Eis que a agência veio com a dupla: comida e obra de arte. Vejas então famosos quadros de arte recriados por verduras e legumes.







Fonte: Ads of the world

Antônio Parreiras – Pintor Desenhista e Ilustrador

antonio-parreiras-pintor-desenhista-e-ilustrador Antônio Diogo da Silva Parreiras que era mais conhecido por todos como apenas Antônio Parreiras, nasceu no ano de 1860 na cidade de Niterói que fica localizada no Rio de Janeiro. O pintor deu início aos seus estudos aos 22 anos de idade na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, porém dois anos depois foi ter aulas de pintura livre com o professor Georg Grimm.

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Já em 1885, Grimm precisou fazer uma viagem para o interior do Brasil, assim Antônio Parreiras teve de continuar seus estudos sozinho. Em 1888 o artista foi para a Itália onde aprendeu e aperfeiçoou suas técnicas estudando na Accademia di Belle Arti di Venezia.

Em 1890, Antônio Parreiras teve sua participação na Exposição Geral de Belas Artes que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, e com esse reconhecimento passou a dar aulas de pintura de paisagens na Escola Nacional de Belas Artes, onde continuou o legado que aprendeu com seu professor Grimm, que era o de pintar ao ar livre, assim dois anos depois ele expôs os trabalhos desses alunos.

Com tanto sucesso de suas pinturas, Antônio Parreiras foi convidado para pintar diversas obras históricas para os palácios do governo, onde um deles foi o Palácio da Liberdade que fica localizado na cidade de Belo Horizonte. As ultimas apresentações dos quadros do artista brasileiro Antônio Parreiras quando ainda em vida, aconteceram no ano de 1933 em São Paulo e em Niterói.

Veja abaixo algumas obras de arte de Antônio Parreiras:

terra-natal-antonio-parreiras

Terra Natal - Antônio Parreiras

ponta-negra-antonio-parreiras

Ponta Negra - Antônio Parreiras

parreiras-o-primeiro-passo-para-a-independencia-da-bahia-antonio-parreiras

O Primeiro Passo para a Independência da Bahia - Antônio Parreiras

fim-de-romance-antonio-parreiras

Fim de Romance - Antônio Parreiras

conquista-do-amazonas-antonio-parreiras

Conquista do Amazonas - Antônio Parreiras

 

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